jusbrasil.com.br
23 de Fevereiro de 2020

Mesmo como maioria no serviço público, mulheres ainda têm cargos inferiores

Elas ocupam 55% das vagas nas esferas federal, estadual e municipal

Eduqc Consultoria, Administrador
Publicado por Eduqc Consultoria
há 3 anos

Mesmo como maioria no servio pblico mulheres ainda tm cargos inferiores

Daliane Silvério é chefe de um departamento do Senado e garante que nunca sentiu que a questão de gênero influenciou a carreira dela.

A primeira servidora pública do país foi Joana França Stockmeyer, que trabalhou na Imprensa Nacional, de 1892 até sua aposentadoria, em 1944. Em 1934, a Assembleia Constituinte garantiu o princípio da igualdade entre os sexos, a regulamentação do trabalho feminino, a equiparação salarial e o direito ao voto.

De lá para cá, muita coisa mudou para melhor. No serviço público, elas já representam 55% do funcionalismo (federal, estadual e municipal), enquanto na iniciativa privada são 50%, de acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Processo de seleção democrático e imparcial

O percentual de mulheres no serviço público é maior porque o sentimento geral é de que as condições no acesso são similares, por meio de seleção democrática e imparcial. O esforço delas pela estabilidade, segundo especialistas, aponta que o desejo do público feminino vai além de consolidação de uma carreira, passa pelo sucesso pessoal e pela segurança da família.

Como servidoras da administração federal, desfrutam de algumas vantagens ainda não incorporadas pelo setor privado. As contratadas em órgãos regidos pelo Estatuto do Servidor têm, por exemplo, 180 dias de licença-adotante — concedida àquelas que adotaram crianças.

O gênero influencia o salário, mesmo com melhor preparo

Esses avanços, no entanto, não impedem que as funcionárias federais, na prática, padeçam da mesma situação que as trabalhadoras privadas no que diz respeito a diferença de gênero: continuam com remuneração inferior a dos homens e em cargos menos relevantes, embora ostentem grau superior de escolarização.

Dados de um estudo da Escola Nacional de Administração Pública (Enap) mostram que elas ainda são minoria na elite do serviço público. No Poder Executivo, representam 46% do total. No Judiciário, 9%. E no Legislativo, 2%, apenas.

Um corte do estudo sobre escolaridade aponta que elas são tão ou mais preparadas do que os homens para o mercado de trabalho.

No Executivo, 48% das servidoras têm nível superior completo, enquanto que o percentual masculino formado fica em 43%. As com pós-graduação chegam a 5% ante 4% dos servidores; as com mestrado, 8% contra 7%.

Quando assunto é doutorado, os percentuais se assemelham: 11% das funcionárias possuem a extensão ante 12% dos homens. Nos níveis que exigem menor conhecimento, a participação do sexo feminino é menor do que a do masculino: 4% têm ensino fundamental contra 8% dos homens; e 24% concluíram o ensino médio ante 26%.

Em relação à remuneração no setor público, o percentual de mulheres em cargos com salários menores é equivalente a dos homens, mas cai no topo de carreira. Ambos os sexos têm participação de 3% na faixa entre R$ 1 mil e R$ 3 mil. 9% das mulheres ocupam vagas de R$ 2 mil a R$ 3 mil, contra 8% dos homens.

Elas estão em maior número, 21% ante 17%, quando a remuneração fica entre R$ 3 mil e R$ 4,5 mil. Tem participação igual na faixa entre R$ 6,5 mil e R$ 8,5 mil, de 12%. Porém, na medida em que os ganhos mensais avançam, a situação vai se invertendo: de R$ 10,5 mil a R$ 12,5 mil, elas são 5% e eles, 6%. No topo, com R$ 12,5 mil ou mais, a participação delas é de 12% e a deles, de 17%.

Uma das explicações possíveis para essa realidade, segundo analistas, pode ser o fato de que as mulheres, no serviço público, assumem menos cargos de chefia.

No Executivo, do total de cargos de direção e assessoramento superior (DAS), 59% estão com os homens, e 41%, com as mulheres. Segundo Pedro Palotti, técnico da Enap, o recrutamento já aponta os limites. “A maioria das mulheres não escolhe formação em ciências exatas, por exemplo, onde estão as funções com salários maiores na administração federal”, salientou.

Representação

As mulheres procuram menos funções representativas no ciclo de gestão governamental, apontou a pesquisa da Enap.

Em profissões como diplomata, elas ocupam apenas 38,4% das vagas. Representam 34,6% dos especialistas em políticas públicas e gestão governamental, 30,5% dos analistas de comércio exterior, 30% dos analistas de finanças e controle, 26,5% dos analistas de planejamento e orçamento e 23,2% dos técnicos de planejamento e pesquisa. “Esse recorte pela preferência é muito significativo, em função de onde se encontram os maiores DAS”, destacou Palotti.

A situação tende a mudar, no entender do técnico na Enap, mas, por enquanto, há ainda uma parcela da sociedade, tanto no serviço público, quanto no setor privado, que leva em consideração benefícios dados às mulheres que encarecem a contratação.

“A legislação trabalhista — que protege a gravidez, concede o auxílio-maternidade, entre outros — conta negativamente. Isso já e passado em países mais avançados e esperamos que seja em breve aqui também. O assunto preocupa tanto os pesquisadores a ponto de ter se tornado pauta da Organização das Nações Unidas (ONU)”, disse Palotti. Até na Enap, de 200 servidores, apenas 50 são mulheres.

Esse paradoxo acontece no mundo inteiro, segundo Roberto Nogueira, técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Ele destacou que os homens são mais bem pagos em todas as esferas do poder. A média, em todo o serviço público brasileiro, é de 5,5 salários mínimos para os homens e 3,9 para as mulheres. Nos estados, eles recebem 6,2 mínimos e elas 4,6; e na municipal, são três para eles e 2,7 para elas.

Casos

A dificuldade das mulheres para chegar ao topo da pirâmide do serviço público é revelada com cautela por algumas funcionárias federais, por conta do temor de retaliações. Várias receiam confessar que são discriminadas pelo gênero, até mesmo por amigos, que embora reconheçam a competência delas, preferem os homens.

Marília Antunes (nome fictício) é uma delas. “No órgão onde trabalho, o diretor pediu que meu chefe indicasse alguém para um cargo importante. Imediatamente o chefe citou o nome de uma colega competentíssima. A reação do diretor foi mandá-lo escolher outro, até menos qualificado. ‘Vai que ela engravide no meio da tarefa’, disse.”

Outras servidoras, no entanto, afirmam que o mundo mudou e que a nova geração tem menos problemas com isso.

Daliane Silvério, 33 anos, chefe do Departamento de Arquivos Administrativos do Senado Federal (foto), destacou que não enxerga mais a cultura machista, quando se trata de ocupação de cargos de chefia.

“A questão é empresarial, devido às inúmeras atribuições da mulher e da exigência da produtividade. Muitas vezes, devido às múltiplas funções, acabamos precisando distribuir o tempo”, assinalou.

Fonte: Correio Braziliense

O QualConcurso é seu aliado na hora de estudar. Com ele, você consegue organizar o seu tempo de estudo pelas disciplinas que mais precisa se aplicar e ainda testa seus conhecimentos, constantemente, por meio dos Simulados oferecidos pela plataforma. Quer saber mais? Clique aqui para conhecer a nossa metodologia e baixar GRATUITAMENTE o e-book com os"4 passos para aprovação em concursos".

4 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

http://www.brasil.gov.br/educacao/2015/03/mulheres-são-maioria-no-ingressoena-conclusao-de-cursos-superiores

As mulheres já são maioria no ensino superior, então não há o que se espantar com esse número, e elas não tem cota , igualdade de faz com educação . continuar lendo

E muito dificil nao ter a preocupacao com a possivel gravidez. Engravidar e uma coisa que esta totalmente nas maos da mulher. Ninguem mais tem influencia sobre este fato.

O Yahoo, quando contratou a atual CEO, valia em bolsa 44,5 bilhoes de dolares. Contratou a Marissa Mayer a peso de ouro (ela recebeu algo como 450 milhoes de dolares em cinco anos, ou proximo de 8 milhoes de dolares por mes, ou a bagatela de 250 mil dolares por dia corrido, incluindo ai sabados, domingos e feriados).

O que que ela fez??? Bem nos cinco anos que se passaram desde a contratacao dela ela teve tres (SIM, TRES) filhos.

Voces acham que e coincidencia que o Yahoo que valia 44 bilhoes de dolares quando a contratou tenha sido vendido por apenas 4 e meio bilhoes de dolares a pouco tempo atras?

Se ela nao tivesse engravidado e trabalhado direto, sera que o desfecho do Yahoo nao teria sido um pouco diferente?

Se alguem me disser que a mulher pode ter tres filhos em cinco anos e manter o mesmo desempenho que teria sem os filhos, estara mentindo.

Lamento, senhoras, mas a Marissa Mayer e a prova viva do porque a mulheres são minoria e recebem menos no topo da piramide.

Quando o relogio biologico comeca a bater mais forte, que se dane o emprego, a empreza, etc... etc... continuar lendo

Enquanto o Funcionalismo Público tiver a visão de que trabalhar pela estabilidade do Emprego, é mais vantagem do que trabalhar pela sua capacidade individual, a sua avaliação pelos vario itens a que você se submete durante um semestre no seu trabalho, e que essa avaliação é feita por três pessoas diferentes, sendo que uma delas é você mesma, como funciona nas grandes Empresas, e que também impedem a demissão de um funcionário, só porque trocou a chefia, mas sim o conceitua e qualifica, para promoções na Empresa.
Os bons funcionários e funcionarias Publicas talvez sempre continuarão na ilusão de um Empreso estável, e sempre submisso e capachos de um FUNCIONÁRIO COMISSIONADO, OU MESMO FUNCIONÁRIO DE CARREIRA INCOMPETENTE, que possuem alguma INFLUENCIA POLÍTICA, no atual sistema funcional, que não é o da CLT...!!!
REFLITAM...!!! continuar lendo

Hoje eu aprendi que há no concurso público há discriminção para a mulher,um salário para mulher, e um para o homem, eu só não vejo onde fica esta parte nos editais dos concursos. Agora se você quiser comparar com cargos comissionados , pode haver, mas não representa srviço público pois nao ha concurso, isto é um resquício da monarquia e deve ser estirpado, mas não tem nada a ver com preconceito de gênero. O avanço nas carreiras públicas se dão por antiguidades e provas internas. É um discurso baseado em falsas premissas para chegar ao fim desejado, e não é por culpa. Todas estas "pesquisas" visam jogar as mulheres contra os homens.Só falta vir dizer que não existe salário mínimo, ou piso de categoria profissional. continuar lendo